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    TU E EU
    (Arthur de Faria, sobre poema de Luís Fernando Veríssimo)

    Somos diferentes, tu e eu.
    Tens forma e graça e a sabedoria de só crescer até dar pé.
    Eu nem sei onde quero chegar
    E só sirvo pra uma coisa
    Que eu não sei qual é.
    É de outra pipa, e eu de um cripto,
    Tu, lipa,
    Eu, calipto.

    Gostas de um som tempestade,
    Rock lenha, muito heavy.
    Prefiro o barroco italiano
    E dos alemães, o mais leve.
    És vidrada no Lobão, e eu mais albinônico.
    Tu, fão,
    Eu, fônico.

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    És suculenta e selvagem
    Como uma fruta do trópico
    Eu já sequei, me resignei,
    Como um socialista utópico.
    Tu não tens nada de mim,
    Eu não tenho nada teu.
    Tu, piniquim,
    Eu, ropeu.

    Gostas daquelas festas
    Que começam mal, e acabam pior.
    Gosto de graves rituais
    Em que sou um penitente e, ao mesmo tempo, o prior.
    Tu és um corpo, e eu vulto.
    És uma miss, eu um místico.
    Tu, multo,
    Eu, carístico.

    (...)

    Somos cada um de um pano,
    Uma sã e o outro insano,
    Tu, cano
    Eu, clidiano.

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