Hora do Almoço

Artur Menezes

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    No centro da sala,
    Diante da mesa,
    No fundo do prato,
    Comida e tristeza.
    A gente se olha,
    Se toca e se cala
    E se desentende
    No instante em que fala.

    Cada um guarda mais o seu segredo,
    Sua mão fechada,
    Sua boca aberta,
    Seu peito deserto,
    Sua mão parada,
    Lacrada,
    Selada,
    Molhada de medo.

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    Pai na cabeceira: é hora do almoço.
    Minha mãe me chama: é hora do almoço.
    Minha irmã mais nova, negra cabeleira...
    Minha avó me chama: é hora do almoço.

    E eu inda sou bem moço
    Pra tanta tristeza.
    Deixemos de coisas,
    Cuidemos da vida,
    Senão chega a morte
    Ou coisa parecida,
    E nos arrasta moço
    Sem ter visto a vida
    Ou coisa parecida aparecida.

    Información de la canción

    Composición: Belchior

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