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    Joel trabalhava na empresa do senhor Valdir
    Seis da manhã no sereno sem vontade de sair
    Levava café bem fraco na garrafa de Guaraná
    E pão com mortadela pro dinheiro esticar
    No ônibus da Vila Norma tinha um banco a descosturar
    Com Marta eu volto escrito num garrancho vulgar

    Joel dizia sorrindo: Esse mês eu vou pintar
    Mas a parede da cozinha continuava a descascar
    Tinha goteira na sala bem debaixo do retrato
    E uma bacia vermelha pra salvar o assoalho gasto

    Lá no galpão da firma o ventilador sem cor
    Só pegava no tranco empurrando com rodo e vigor
    Joel certa vez sem jeito foi chamar o chefe e disse: Pai
    Ficou quieto a tarde inteira com vergonha dos demais
    A menina queria um tênis desses caros de vitrine
    Joel dobrou turno três meses pra buscar no Magazine

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    Numa sexta de garoa perto do horário do pão
    Joel caiu encostado numa esquina cheia de papelão
    No bolso tinha meio pacote de bolachas quebradas
    E cinquenta e dois reais em notas mal dobradas
    A firma mandou flores dessas prontas de mercado
    E um papel dizendo: Colaborador estimado

    Na segunda apareceu outro coitado com sapato gasto e tosse fina
    Procurando pelas gavetas sem entender a rotina
    Passou a tarde inteira sem saber onde era o arquivo
    Enquanto a mesa de Joel ainda cheirava a corretivo

    A mesma mesa já levara dezoito homens pro cansaço
    Quarenta anos carimbando papelada e nome gasto
    Uns morreram sem dinheiro outros sumiram devagar
    E a firma continuava sem sequer notar a alternância no lugar

    Adeus Joel
    Adeus
    Adeus

    Información de la canción

    Composición: Marcelo Ribeiro Dantas

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