Che Guevara
Astrikos Katoikos
Nascido em bruma asmática e livros abertos
Aprende cedo que o corpo não dita destino
Percorre estradas, encontra rostos e desertos
E decide não ser apenas um menino
Nos caminhos da América o olhar se condensa
Cada fronteira revela a mesma pressão
Não há teoria que inteira se sustenta
Quando a fome escreve a própria razão
Na serra assume um nome em combate
O passo já não pertence ao indivíduo
A história o convoca para dentro do debate
Onde viver é aceitar o risco vivido
Ernesto Che Guevara
Você clareou uma noite sem fim
Rosto gravado na estampa do povo
Vida lançada sem pedir recompensa
E um caminho que nunca foi novo
Chama que acende decisão
Passo que avança, nunca recuando
Exemplo que sobrevive na ação
E segue firme e transformando
Cuba o conhece na vitória e na disciplina
Mas o poder não o seduz nem contém
Abandona cargos, recusa a rotina
Segue buscando um horizonte mais além
Vai ao Congo, leva a chama acesa
Encontra limites na própria ação
Nem toda luta mantém a firmeza
Nem toda entrega resolve a questão
Na Bolívia o cerco se fecha e se define
Isolado, o espírito insiste em seguir
Capturado, o tempo se inclina
Para um fim que não quis desistir
Ernesto Che Guevara
Você clareou uma noite sem fim
Rosto gravado na estampa do povo
Vida lançada sem pedir recompensa
E um caminho que nunca foi novo
Chama que acende decisão
Passo que avança, nunca recuando
Exemplo que sobrevive na ação
E segue firme e transformando
Morre sem afetos, sem frase moldada
Fica o silêncio após a execução
Mas a imagem não fica apagada
Segue viva num mundo em recordação
E onde houver alguém que não aceita
A ordem imposta como condição
Há algo da sua força ainda perfeita
Que se levanta como oposição
Ernesto Chê Guevara
Você clareou uma noite sem fim
Rosto gravado na estampa do povo
Vida lançada sem pedir recompensa
E um caminho que nunca foi novo
Chama que acende decisão
Passo que avança, nunca recuando
Exemplo que sobrevive na ação
E segue firme e transformando