Menino No Portão

Bernardo

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    Menino no portão
    Olhando curioso lá fora
    Desenhava no chão
    Divagava sobre as luzes da cidade
    O que haveria lá

    Hoje não da pra pensar
    O seu pai apareceu na porta
    Lhe chamando pro jantar
    A família inteira diante a mesa posta
    Agradeceram por não faltar

    Obrigado pela tua mão
    Obrigado pela proteção
    Obrigado pelo nosso pão
    Obrigado

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    Menino no portão
    Se olhasse pra dentro de casa
    Veria algo bom
    O seu pai te esperando na janela
    Com um sorriso que enchia o ar

    Menino no portão
    Se apresse já anoiteceu
    É hora de sonhar
    Com as luzes da cidade
    Com o que vai ser
    Quando chegar lá

    E o menino desceu
    Ele fez as malas e partiu
    Certo do que era melhor pra si
    Uma lágrima caiu
    E o menino desceu
    Um abraço, sorriu
    Só com uns trocados no bolso
    Sem muito esforço
    O portão de longe se viu
    Lá a cidade era tão grande
    Como se encontrar?
    As luzes eram tão constantes
    Que lhe faltava o ar
    Tantos sorrisos
    Tantos abraços
    Tantos laços
    Que ele, faço e desfaço como bem quiser
    Multidão de um homem só
    Casa suja, cheia de pó
    Ele era um ninguém
    Ele era um nenhum
    Os seus temores e os seu valores
    Se tornavam dia a dia
    Um pouco, bem pouco
    Ele pensou em voltar
    Ele só pensou
    Mas se portão não for mais o mesmo?
    Se o abraço não for mais o mesmo?
    E se sorriso não for mais o mesmo?
    Já que nem eu sou mais o mesmo
    Ele pensou em voltar
    Ele só pensou
    Mas aí ele voltou sem pensar
    E ele voltou

    Eu sou um fraco sem a tua mão
    Sou um fraco sem tua proteção
    Sou um fraco sem tua direção
    Sou um fraco

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