Pezinho da Vila

Brigada Vitor Jara

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    Eu nasci à sexta-feira
    Com barbas e cabeleira
    Mais parecera um anti-Cristo
    Que até o senhor padre cura
    Que é um homem de sabedura
    Nunca tal houvera visto

    Eu fui a Vila Franca
    Escanchado numa tranca
    À morte de uma galinha
    O que ela tinha no papo
    Sete cães e um macaco
    E um soldado da marinha

    Ponha aqui o seu pezinho
    Devagar devagarinho
    Se vai à Ribeira Grande
    Eu tenho uma carta escrita
    Para ti, cara bonita
    Não tenho por quem lh’a mande

    Eu fui à Praia da Rocha
    Sapato meia galocha
    Ver se o mar estava manso
    Encontrei lá uma garoupa
    Toda embrulhada em roupa
    A dormir no seu descanso

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    Eu fui de Lisboa a Sintra
    A casa da tia Jacinta
    P’ra me fazer uns calções
    Mas a pobre criatura
    Esqueceu-se da abertura
    Para as minhas precisões

    Ponha aqui o seu pezinho
    Devagar devagarinho
    Se vai à Ribeira Grande
    Eu tenho uma carta escrita
    Para ti, cara bonita
    Não tenho por quem lh’a mande

    Toda a moça que é bonita
    Se ela chora, se ela grita
    Nunca houvera de nascer
    É como a maçã madura
    Da quinta do padre cura
    Todos lha querem comer

    Eu fui casar às Capelas
    Por ser fraco das canelas
    Com uma mulher sem nariz
    E esta gente das Fajãs
    Já me deram os parabéns
    Pelo casamento que eu fiz

    Ponha aqui o seu pezinho
    Devagar devagarinho
    Se vai à Ribeira Grande
    Eu tenho uma carta escrita
    Para ti, cara bonita
    Não tenho por quem lh’a mande
    [Bis]

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