Acasos
Camilla Blair
Cheiro de pano molhado e amaciante
Desejo no busto rasgado dessa inconstante
Saudades daquilo que nunca vivi
Eu quebro a cara, pois não sei partir
Confete da cor do pecado
Que guardei no pano
As almas, sonhos maculados
Manchados do pranto
A sorte de não decidir o que quer
É se contentar com um destino qualquer
Se acaso pensas em ficar
Bater à porta ao se enfadar
Meu coração não é brinquedo
Quero desvendar os segredos
Se acaso pensas em correr
Fugir do anseio pra não prender
O meu sofrer é imutável
E o meu querer quase indomável
Pra voar é preciso primeiro se jogar
O medo nos sangra mais forte que a lâmina
Mas amar é o que estanca
Se acaso pensas em ficar
Bater à porta ao se enfadar
Meu coração não é brinquedo
Quero desvendar os segredos
Se acaso pensas em correr
Fugir do anseio pra não prender
O meu sofrer é imutável
E o meu querer quase indomável
Se acaso pensas em ficar
Vem sem receio de machucar
A solidão se vai com o medo
Quero desvendar os teus, todos os teus, segredos
Se acaso pensas em correr
Fugir do anseio pra não sofrer
A porta não está sempre aberta
Mas ainda tem a janela