Um Berrante Na Solidão

Campanha e Cuiabano

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    Ouviram só o repique de um berrante
    Pra lá da porteira
    E o tropel de uma boiada
    Que vem estourada lá no estradão
    Mas não se vê nem um gado
    É só o berrante na solidão
    Mas não se vê nem um gado
    É só o berrante na solidão

    Pra lá de um mata-burro
    Numa santa cruz perto de um grotão
    Meia-noite um boiadeiro
    Toca o berrante pedindo oração
    Pra livrar-se da penitência
    Porque seus pecados não teve perdão
    Pra livrar-se da penitência
    Porque seus pecados não teve perdão

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    A alma do boiadeiro
    Que pelo dinheiro matou os pais e os irmãos
    Vagando vai pelo espaço com seus tristes ais
    Sem tê sarvação
    O castigo para quem mata
    É morrê seco e matado na mais triste solidão
    E assim morreu o boiadeiro
    Repicando o berrante na santa cruz do grotão

    Assim diz a boiadeirada
    Nascido e criado em nosso sertão
    Rezamos todos os dias
    Pra que este berrante não toque mais não
    É um repicado tão triste
    É alma perdida na escuridão
    É um repicado tão triste
    É alma perdida na escuridão

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