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    Algures na tarde há um fumo que arde
    No sangue de dois faladores
    Discutem, agitam e com o que gritam
    Atraem mais espectadores
    Têm raiva nos dentes e fogo no olhar
    Atiram serpentes de fúria ao falar
    Perguntam à toa, respondem que não
    E mesmo que doa, hão-de ter a razão
    A razão

    Com frases alheias defendem ideias
    Que ouviram alguém defender
    Arriscam a fé e enganam até
    Se sentirem que podem vencer
    E não buscam verdade, que é isso afinal?
    Viva a tempestade, mentir não faz mal
    Avançam nos gritos, talvez frustração
    E por ditos não ditos lá têm razão
    A razão
    A razão

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    E uma criança sem tempo aproximou-se, atrevida
    E tem na frente um exemplo do que é ser gente crescida

    Afasta-te já, não demores por cá
    Tu não ouves, não olhas, não vês
    Tu és simples e justa, ai eu sei quanto custa
    Tentar aprender os porquês
    Tu és vida e bonança depois do furor
    És Sol de esperança de algum sonhador
    Sorris na beleza, na tua ilusão
    Tu tens a pureza de não ter razão
    Ter razão

    Eu invejo o sorriso que agora te vi
    Criança, eu preciso lembrar-me de ti
    Na vida tão escura tens luzes na mão
    O sonho, a ternura, o amor, a razão
    A razão
    A razão

    Información de la canción

    Composición: Carlos Paião

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