O prometido é devido

Carlos Tê

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    Naquele trilho secreto,
    Com palavra santo e senha.
    Eu fui língua e tu dialecto.
    Eu fui lume, tu foste lenha.
    Fomos guerras e alianças,
    Tratados de paz e passangas.
    Fomos sardas, pele e tranças,
    Popeline, seda e ganga.
    Dessa vez tu não cumpriste,
    E faltaste ao prometido.
    Eu fiquei sentido e triste.
    Olha que isso não se faz.
    Disseste se eu fosse audaz,
    Tu tiravas o vestido,
    E o prometido é devido.
    Rompi eu as minhas calças.
    Esfolei mãos e joelhos.
    E tu reduziste o acordo,
    A um montão de cacos velhos.
    Eu que vinha de tão longe,
    Do outro lado da rua.
    Fazia o que tu quizesses,
    Só para te poder ver nua.
    Quero já os almanaques.
    Do Fantasma e do Patinhas,
    Os Falcões e os Mandrakes.
    Tão cedo não terás novas minhas.
    Dessa vez tu não cumpriste,
    E faltaste ao prometido.
    Eu fiquei sentido e triste.
    Olha que isso não se faz.
    Disseste se eu fosse audaz,
    Tu tiravas o vestido,
    E o prometido é devido.

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