Não há estrelas no céu

Carlos Tê

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    Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho,
    Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho.
    De que vale ter a chave de casa para entrar,
    Ter uma nota no bolso pr'a cigarros e bilhar?

    A primavera da vida é bonita de viver,
    Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover.
    Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar,
    Parece que o mundo inteiro se uniu pr'a me tramar!

    Passo horas no café, sem saber para onde ir,
    Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir.
    Vejo-me à noite ao espelho, o corpo sempre a mudar,
    De manhã ouço o conselho que o velho tem pr'a me dar.

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    Hu-hu-hu-hu-hu, hu-hu-hu-hu-hu.

    Vou por aí às escondidas, a espreitar às janelas,
    Perdido nas avenidas e achado nas vielas.
    Mãe, o meu primeiro amor foi um trapézio sem rede,
    Sai da frente por favor, estou entre a espada e a parede.

    Não vês como isto é duro, ser jovem não é um posto,
    Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto.
    Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim,
    Se não fosse o Rock and Roll, o que seria de mim?

    Não há-á-á estrelas no céu...

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