Natureza-Morta

Cássio Gava

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    Ela ali adivinhava tudo o que eu queria expor
    Só que não saía fala, ou pus, ou choro, ou cheiro, ou clamor
    Ela ali, eu sei, sabia do querer que eu tinha, tinha, tinha tanto
    Tanto que nem tinha um tamanho imaginadamente à mostra no ar
    Tudo então ficava imóvel demais

    Aqui no sono noto as vozes todas se explodindo de mim
    Se falo, Leila não desvia os olhos da costura que faz
    Mas minha fome encosta a língua ali no alívio dela talvez
    Profiro Leila, encosto a língua no celeste da minha boca
    Da minha boca
    Da minha bo

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    Ela ali alinhavava minha boca, meu beijo além
    Eu ali olhava a fêmea, antes de morrer-me refém
    Ela ali olhava tudo, tudo, (tudo é pouco!)
    E só havia eu ali e aqueles olhos, olhos pretos presos à minha presença de cor
    Ela ali me alimentava o tumor

    Aqui no sono noto as vozes todas se explodindo de mim
    Se falo, Leila não desvia os olhos da costura que faz
    Mas minha fome encosta a língua ali no alívio dela talvez
    Profiro Leila, encosto a língua no celeste da minha boca
    Da minha boca
    Da minha bo-

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    Composition: Cassio Gava

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