Ventre Querência

César Lindemeyer

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    O pequeno ventre que gerou-me a vida
    Trazia nos verdes olhos a querência
    Que nos foi dada pra viver um dia
    E amar pra sempre largas sesmarias

    Usei maneias e bocais de doma
    Esporas grandes que cortaram potros
    Mas sinto medo de ideias novas
    Que se moldaram no pensar dos outros

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    Cabeças leves que se abrandam logo
    Sem ser preciso um tirão maior
    São presas fáceis que não mais gavionam
    E cabresteadas sentem-se melhor

    Tirei das chuvas seus cavalos mansos
    Me abram cancha porque sou assim
    Sou marca e tarca, sou sinal dos tempos
    Trago a querência enraizada em mim

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