Na Estância do Sossego

César Oliveira

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    Diz o lalinho pro Olavo na cozinha
    "Toca a tropilha do potreiro do açude"
    E grita o Lúcio pro Beto lá na mangueira:
    "Levamo os poncho, facilita o tempo mude"

    Um galo corta o silêncio da madrugada
    A lua nova vem mangueando a escuridão
    A cavalhada chega quieta, e na mangueira
    Vapor de lombo se mistura à cerração

    Levo a cabresto este meu baio cabos negros
    Um companheiro de trabalho e de anarquia
    Groseio os cascos, amolecidos de sereno
    Enquanto a d'alva reponta a barras do dia

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    O negro Olavo sai falando nas mimosa
    Tapeando a cara de um mouro bruto de freio
    E grita o Beto pra baia marca virada:
    "Afrouxa o lombo, que o mango te parte ao meio"

    É no rodeio do sinuelo que eu sou gente
    Abro meu baio pro lado oposto da trança
    Um touro berra laçado da meia cara
    Garreia o bruto, tio Lalo, que ele se amansa

    No fim do dia, de volta a hora do mate
    De causo e risos que um campeiro não se entrega
    Sem nos dar conta resgatamos nossa essência
    Enquanto a lua vai nascendo atrás das pedras

    Estância velha, sossego, rincão das palmas
    És rumo e norte, aonde encontro guarita
    Herança bruta timbrada a casco de potro
    Lida gaúcha que da força à nossas vidas

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    Composition: Lisandro Amaral, Guilherme Collares, and Cristian Camargo

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