Manhã de Verão

César Passarinho

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    Tão logo a noite vai embora das campinas
    Por onde aranhas desceram suas cortinas
    E o sereno vem brilhar nestes mundéus
    Voltam as cores na aquarela deste dia
    E o verde se estende pelas sesmarias
    Até que no horizonte encontre o céu

    Entre a folhagem o Sol espia sorrateiro
    E eu me embebedo nas manhãs deste janeiro
    Nas alegrias que me trazem os verões
    Olho na sanga deslizando entre as pedras
    Igual a um potro que ainda desconhece rédeas
    Um lambari que vai fazendo evoluções

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    De alma aberta embora só não me sinto sozinho
    Escuto arrulhos de uma rola ali pertinho
    Feito censura às formigas cortadeiras
    Que surpreendidas pelas águas do caminho
    Vão navegando sobre folhas de mansinho
    Tal qual balseiros nestas águas corredeiras

    Cada pedra que encontrei pela estrada
    Eu recolhi pra alicerçar minha morada
    Neste universo que é o pago onde nasci
    Tenho de tudo que preciso pra viver
    A terra boa, boa semente e um bem querer
    Com quem um rancho pra dividir eu escolhi

    Enquanto as águas correm livres pela sanga
    E a brisa morna traz um gosto de pitanga
    Ao mesmo tempo em que balança o alecrim
    Mantenho a esperança sempre acesa
    Desfruto desta vida com a certeza de que
    Tudo é bonito, basta querer ver assim

    Información de la canción

    Composición: Carlitos Magallanes

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