Vida e Morte de Vaqueiro

Chico Elpídio

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    É tarde de Sol o chão está quente
    A poeira um mormaço um vaqueiro valente
    É o Zé da Maria com toda certeza
    Rei das vaquejadas da redondeza
    Um murmúrio contido atenção concentrada
    O abrir da cancela ao sinal da largada

    Vem lá o rei em disparada
    Pegar o boi na derribada
    Co o seu braço forte e o laço na frente
    É a queda do boi olhe o povo contente
    É uma gritaria é o boi derrubado

    O vaqueiro sorri pelo povo aclamado
    É motivo de festa cachaça e alegria
    Eita cabra da peste esse Zé da Maria

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    É tarde e o Sol esfriou de repente
    A poeira um flagelo um boi mais que valente
    Pobre Zé da Maria arrancado da cela
    Viu que a hora marcada por Deus era aquela
    Não gritou não tremeu defendeu-se a seu jeito
    Até que uma pontada varou o seu peito

    Hei boi firme na laçada
    Hei boi bom de vaquejada
    De braços abertos no chão estirado
    É a queda do rei olhe o povo calado
    É um reboliço é um Deus nos acuda

    É Maria chorando é o Zé carregado
    O sangue empoçado a poeira cobria
    Acabou-se o reinado do Zé da Maria

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