O Ébrio

Cida Moreira

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    Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
    Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
    Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
    Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
    Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
    Cada colega de infortúnio é um grande amigo
    Que embora tenham como eu seus sofrimentos
    Me aconselham e aliviam os meus tormentos
    Já fui feliz e recebido com nobreza até
    Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
    E a cada passo um grande amigo que depunha fé
    E nos parentes... confiava, sim!
    E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
    O falso lar que amava e que a chorar deixei
    Cada parente, cada amigo, era um ladrão
    Me abandonaram e roubaram o que amei
    Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
    Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
    Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
    Este ébrio triste e este triste coração
    Quero somente que na campa em que eu repousar
    Os ébrios loucos como eu venham depositar
    Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
    E suas lágrimas de dor ao peito amigo

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