As Coisas do Meu Rincão

Clóvis Mendes

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    Abandonei a querência, contrariei meu coração
    Por andar muito cansado da vida que leva um peão
    Trabalhava noite e dia, me pagavam quase nada
    Arriscava a minha vida laçando boi na invernada
    Cá na cidade vivo de recordação
    Quase morro de saudade das coisas do meu rincão.

    Peguei meu cavalo zaino, companheiro de jornada
    Presenteei para uma prenda que era minha namorada
    Fiz a gaúcha chorar, quando eu lhe disse assim
    Cuide bem do meu cavalo e nunca te esqueças de mim
    Tem certas coisas que machucam o coração
    Lembro o meu cavalo zaino e das coisas do meu rincão.

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    Diz que até os passarinhos não se escutam mais cantar
    Depois que eu vim me embora, voaram pra outro lugar
    Lembro das brigas de touros, do brazino e do zebu
    Das noites de lua cheia e das caçadas de tatu
    O meu cachorro latindo lá no capão
    Lembro a minha prenda linda e das coisas do meu rincão.

    Coitado de um pobre peão, estranha barbaridade
    Saindo lá da campanha pra morar cá na cidade
    É uma vida diferente, não tem nem comparação
    Quando lembro as suas coisas machuca seu coração
    Ando sofrendo, pois tenho muita razão
    Estava muito acostumado com as coisas do meu rincão.

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