Para Um Manifesto Hostil

Comunicação Violenta

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    A hostilidade nos une
    Socialmente
    Economicamente
    Filosoficamente

    Derrubemos as leis do mundo
    Expressão mascarada do individualismo
    Do monoteísmo excludente
    De todos os tratados de paz
    Que mantêm esse sistema funcionando

    Tupi ou não Tupi
    Guarani, Guajajara, Sateré-Mawé
    Ticuna, Xavante, Yanomami
    Iorubá e Banto

    Contra todas as catequeses
    Só interessa o que é comum
    O comunal, a comunidade

    Lei do homem
    É a não-lei de Deus
    Lei da hostilidade

    Estamos fatigados
    Da hierarquia colonial
    Católica, empresarial
    Romana, patriarcal

    O norte global branco
    Vestido de superioridade
    Contra o não-eu
    O não-civilizado
    O não-homem

    Filhos do sol
    Mãe dos viventes
    Exotizados
    E odiados ferozmente

    Hostilidade! Hostilidade!
    É vacina contra o sistema!
    Hostilidade! Hostilidade!
    Transforma tabu em totem!

    Sempre tivemos gramática
    Nem que fosse a dos afetos
    Sempre tivemos terra
    E o trabalho mais honesto

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    Roubaram nossos frutos
    Alimentaram sua fome
    E nos chamaram de preguiçosos
    No mapa do mundo

    Seguimos contra
    A consciência enlatada
    E a religião fraca
    Que divide e não soma nada

    Queremos revolução latina
    Maior que qualquer revolução
    Unificar as revoltas
    Na direção da emancipação

    Nosso ouro virou lama
    Na mão das mineradoras
    E ainda chamam progresso
    Essa barbárie exploradora

    Caminhemos
    Olhando pra dentro
    Pros nossos
    Pros nossos mortos
    Pros nossos vivos

    Não seremos mais catequizados

    Contra padre, contra império
    Contra mentira repetida
    Nenhum império pisa em terra
    Pra deixar algo de bom na vida

    Sem Napoleão
    Sem César
    Sem Donald Trump
    Sem Elon Musk

    Sem essa ideia de progresso
    Que transforma tudo em máquina
    Progresso é barbárie
    E a história é traumática

    Barulho! Barulho!
    Manifestos! Manifestos!
    Riff! Riff!
    Blast beats!

    Instinto grindcore

    Tentaram nos catequizar
    Respondemos com carnaval
    Mas ainda tem quem se fantasia
    Sem entender o ritual

    Segundo Oswald de Andrade
    Já tínhamos comunismo
    Já tínhamos linguagem
    Já tínhamos surrealismo

    Hostilidade! Hostilidade!
    Contra todas as elites!
    Hostilidade! Hostilidade!
    Comunicação violenta existe!

    Ser colônia é se sujar de Europa
    O ódio é a prova dos nove
    Força ao matriarcado originário
    Criar memória nova, sem ódio que nos corrompe

    Contra o capital
    Contra a ideologia que oprime
    Realidade sem prisão
    Sem exploração, sem crime

    A nossa independência
    Ainda não foi proclamada

    Comunicação violenta

    Brasil
    Terra da brasa
    E do ódio

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