A Morte Saiu À Rua

Cristina Branco

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    A morte saiu à rua num dia assim
    Naquele lugar sem nome para qualquer fim

    Uma gota rubra sobre a calçada cai
    E um rio de sangue de um peito aberto sai

    O vento que dá nas canas do canavial
    E a foice duma ceifeira de Portugal

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    E o som da bigorna como um clarim do céu
    Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

    Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
    Só olho por olho e dente por dente vale

    À lei assassina, à morte que te matou
    Teu corpo pertence à terra que te abraçou

    Aqui te afirmamos dente por dente assim
    Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

    Na curva da estrada há covas feitas no chão
    E em todas florirão rosas de uma nação

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    Composition: Jose Afonso

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