Dor de Alma
Cristina Nóbrega
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Meu pratinho de arroz doce
Polvilhado de canela
Era bom mas acabou-se
Desde que a vida me trouxe
Outros cuidados com ela
Eu, Infanta, não sabia
As mágoas que a vida tem
Ingenuamente sorria
Me aninhava e adormecia
Ao colo da minha mãe
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Soube depois que há no mundo
Umas tantas criaturas
Que vivem num charco imundo
Arrancando arroz do fundo
De pestilentas planuras
Já não tenho o teu engodo
Ó mãe, nem desejo tê-lo
Prefiro o charco e o lodo
Quero o sofrimento todo
Quero senti-lo e vencê-lo