Confesso Réu

Darley Soares

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    Permaneço aqui parado
    Quase paralisado
    Com o pensamento alucinado, desvairado
    Retrocedendo outrora
    No tempo do tempo
    Em que fiz questão de perguntar teu nome

    Olhando para o horizonte
    Com a mente distante
    Sentindo minha alma sem calma
    Meu corpo abandonar

    Sigo contido e escondido
    Cada vez mais leve
    No instante breve
    Ao te relembrar

    Sinto até, sem ar
    A capacidade de voar
    Com os pés do chão flutuar
    E insistentemente, sem dormir
    Em sonhos te buscar

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    Mais uma poesia componho
    Enquanto me decomponho
    Desmanchando em lágrimas
    Por me calar

    Sinto-me culpado
    Um réu confesso
    Que optou pelo silêncio
    Ao invés de se declarar

    Entretanto, tenho sentido muito
    E escolhido esconder
    Minha comoção
    Essa emoção que se soma
    E nunca some
    Ao te olhar

    Te ver e insistir que nada senti
    É cruel

    Distante, calado
    Olhando sem piscar
    Implorando pelo teu olhar
    Em direção ao céu

    Mente alucinada
    Seguindo sem rumo, desvairada
    Um apaixonado
    Confesso réu

    Tenho fugido dos teus olhos
    Para não mais me apegar
    Tentando te apagar
    Na poesia
    Deste papel

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    Composition: Darley Soares

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