De Fletes e Amores

Délcio Tavares

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    Soltei meus cavalos pro fundo do inverno
    Tropeiro de outonos só traz folhas mortas
    Meus sonhos mais puros beberam estradas
    E as duras estradas beberam meus sonhos

    Soltei meus cavalos de tropear amores
    E as chuvas de julho lavaram os pêlos
    E eu vi os segredos de fletes e amores
    Que ao sol tem mil cores, e à chuva são negros

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    Adeus às estradas e aos teus olhos negros
    Amar-te é uma adaga voltada pra mim
    Adeus horizontes de céus e de prantos
    Que os meus olhos brandos gastaram de ti

    Voltei pro meu rancho de barro e silêncios
    Domei meus cavalos pra campo e mangueira
    Que os fletes de estradas só plantam poeira
    Que a chuva do inverno despreza e apaga

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    Composition: Newton Bastos and Roberto Ferreira

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