Água na terra quente
Menina, cheiro de vapor ofende
Clara pele que sente
Ardendo com a quentura que se estende
Cabelo preto solto ao vento
Espalhando seus pensamentos
A menina corre
A inocência escorre pelo tempo
Lava o chão da calçada
E logo sobe o cheiro de cimento
Carros passam na estrada
As folhas dançam com o movimento
Menina, passe já pra dentro
O redemuinho vem chegando
A menina foge
E a poeira sobe circulando
Valha Nossa Senhora
Fechei a porta e deixei minha fia
Ela ficou lá fora
Desafiando a força da ventania
Será que ela saiu voando
Deve tá lá no chão chorando
Abri a janela e gritei por ela
Que não me ouvia
Ficou ali parada
Olhando pro nada
Enquanto sorria
As roupas espalhadas
A ruma de poeira pela sala
Ah, menina danada
A inocência desse olhar me cala
Bezerra, ligue a mangueira
Vamo limpar essa sujeira
Ainda meio tonta, a menina conta
Tudo o que ela viu
Tava em cima da casa
Fez vento com as asas
E depois subiu