De Qualquer Maneira

Déo

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    Quem tudo olha quase nada enxerga
    Quem não quebra se enverga
    A favor do vento
    Eu não sou perfeito
    Sei que tenho de pecar
    Mas arranjo sempre um jeito
    De me desculpar

    Eu lá na Penha agora vou estifa¹
    Mas não vou como um cafifa²
    Quem foi lá desacatar
    Mas a força falha
    Ele teve um triste fim
    Agredido a navalha
    Na porta de um botequim

    Pra ver a minha santa padroeira
    Eu vou à Penha
    De qualquer maneira...

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    Faz hoje um mês que fui naquele morro
    E a Juju pediu socorro
    Lá da ribanceira
    Toda machucada
    Saturada de pancada
    Que apanhou do seu mulato
    Por contar boato

    Meu coração bateu a toda pressa
    E eu fiz uma promessa
    Pra mulata não morrer...
    Pela padroeira
    Ela foi bem contemplada
    Levantou do chão curada
    Saiu sambando fagueira

    Eu vou à Penha de qualquer maneira
    Pois não é por brincadeira
    Que se faz promessa
    E o tal mulado
    Para não entrar na lenha
    Fez comigo um contrato
    Pra sumir da Penha

    Quem faz acordo não tem inimigo
    A mulata vai comigo
    Carregando o violão
    E com devoção
    Junto à santa milagrosa
    Vai cantar meu samba prosa
    Numa primeira audição

    ¹ Gíria da época: alinhado, bem-vestido.
    ² Gíria da época: sujeito sem sorte.

    Información de la canción

    Composición: Noel Rosa y Ary Barroso 1933

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