Um Buraco Em Mim

DIGITAL KATANA

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    Os dias viravam noites, a noite em madrugada
    E a porteira rangia, sempre calada
    Primeiro, um dia, dois, a casa estranhava
    Depois, de repente, uma semana passava

    O cheiro do café, o pão na mesa farta
    Ficou só lembrança, uma saudade que arde e maltrata
    O violão chora, a viola lamente, a sanfona faz doer
    Um assombro, um silêncio, sem saber o porquê

    E o rancho sem alma, o tempo sem fim
    Uma sombra ausente, um buraco em mim
    O mês virou ano, a poeira cobriu o quintal
    E a má-língua do povo, um veneno fatal

    Era um bom sujeito, mas pirou a cabeça!
    Abandonou a vida, a família, a beleza!
    Diziam que traía, que tinha outro alguém
    Histórias torpes, tecidas por um desdém

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    O violão chora, a viola lamente, a sanfona faz doer
    Um assombro, um silêncio, sem saber o porquê
    E o rancho sem alma, o tempo sem fim
    Uma sombra ausente, um buraco em mim

    Até que um dia, a poeira assentou na janela
    Chegou uma carta, dobrada e amarela
    A caligrafia fraca, o papel já cansado
    Um suspiro contido, um pranto calado

    Me perdoe a partida, a dor que causei
    A doença me rondava, não suportei
    Não quis ser um peso, uma sombra pra vocês
    Talvez com Deus eu já esteja, em outras vezes

    E o mistério se esvaiu, como fumaça no ar
    A verdade doída, difícil de aceitar
    As vozes se calaram, o julgamento findo
    Restou só a saudade, um amor sem sentido

    O violão chora, a viola lamente, a sanfona faz doer
    A verdade veio à tona, pra gente entender
    E o rancho sem alma, o tempo sem fim
    A ausência presente, dentro de mim

    Song details

    Composition: Víctor Hugo Moscato

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