Mudança

Dimas Costa

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    Bem no alto da cochilha
    Chapéu, na testa, quebrado
    Olhando para o descampado
    Num olhar de despedida

    O moço dava um adeus
    Ao canto dele e as estradas
    Onde fizera as cruzadas
    Mais lindas da sua vida!

    Tinha alma retalhada
    Pelos golpes da tristeza
    E uma pesada certeza
    De não voltar nunca mais

    Num tempo de olhar saudoso
    Olhou o rancho tapera
    Aquele rancho que era
    O ninho dos velhos pais

    Depois tirioniando as rédias
    Voltou as costas pro pasto
    Mastigando gosto amargo
    Que o pranto lhe trouxe a boca

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    Como uma puge de si mesmo
    Deu num pingo uma esporeada
    E se largou pela estrada
    Numa galopeada louca!

    Muitos anos se passaram
    A vida toda mudou
    E o moço não mais voltou
    Ao rincão onde nasceu

    Nas tranças de zemuldanas
    Onde se era o povueiro
    O moço, rude e matreiro
    Pouco a pouco se envolveu!

    Hoje ninguém reconhece
    Neste homem bem trajado
    Aquele moço largado
    Que tinha sorrisos francos

    No seu vulto de campanha
    Já não resta quase nada
    Apenas pingos de giada
    Sobre os seus cabelos brancos

    Mas traz no fundo da alma
    Uma saudade cravada
    E a sua vida passava
    Nunca mais ele esqueceu
    A imagem viva do pago
    Levada pra eternidade

    Te juro que é verdade
    Pois esse homem

    Sou eu!

    Información de la canción

    Composición: Dimas Costa y Paulo Ibage

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