Canto Velório

Dona Iracema

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    Despedida num canto provisório
    E pranto com horário de acabar
    Não dá conta de honrar a trajetória
    De quem se quer homenagear

    E com isso esse canto meu canto velório
    É pra quem não pode se consolar

    É notório que fica na memória
    Pensar no afago que não deu
    Quão inglório partir sem ter história
    E engolir o partir sem dar adeus

    E com isso esse meu canto velório
    É pra quem não pode dar tchau pros seus

    Sei, pesar não passa a mão
    E nem dá trégua
    Corta o peito com faca sem fio
    Não se modera ao se fazer vadio

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    Sim, saudade não tem dó
    Se faz severa
    Não se demora e macera o que era peito
    A ponto de pó

    A pátria querida que outrora
    Era tida de vívida e baião
    Hoje chora a ida, o ir embora
    A ardida ferida da cisão

    Rogo praga a mórbida ceifeira
    Ladroa de nossa legião
    Oriunda do vírus da coroa
    E descaso do chefe da nação

    Para aqueles que não tinham nem eira
    Nem beira e afeito hospitalar
    Que do leito nem viram a cabeceira
    Nem tiveram direito a respirar

    Vou tentar expressar de tal maneira
    O carinho, a tristeza e apesar
    De não ter a devida cerimônia
    Suas vidas havemos de lembrar

    De cada pessoa que se foi
    Hei de lembrar
    Cada filho da terra que partiu
    Hei de lembrar

    Cada trabalhador que nos deixou
    Hei de lembrar
    De cada vida perdida no Brasil
    Hei de lembrar

    Me entristece saber de tanta gente
    Em ambulatório e em bar
    Dói não poder beijar
    A urna lacrada
    Não poder ao menos te olhar

    E com isso esse meu canto velório
    É pra quem não pode se abraçar

    Información de la canción

    Composición: Balaio, Oscar Sampaio, Diegao y Pablo Bahia

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