De Estrada, Campo e Galpão

Éder Goulart

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    Quando um ponteio rebusca os sonidos dos grotões,
    E embreta as emoções no braço de uma guitarra,
    O fogo aquece e acalma com sapiência de monge,
    A voz se reveste em bronze e a alma vira cigarra.

    A marca queima vermelha na picanha da saudade,
    O silêncio fala a verdade sempre que estamos sós,
    Tudo que habita em nós vem a tona na garganta,
    E segura a alma canta como cantaram os avós.

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    E assim um canto brota num bordoneio entonado,
    Como um laço enrodilhado se abrindo num armadão,
    E melodiosa a canção retrata o bom da vida,
    E os rigores da lida de estrada, campo e galpão.

    Tanto e tantos que ganham a vida domando pingos,
    Para matear nos domingos e reviver pataquadas,
    Sabem saciar nas aguadas a sede do telurismo,
    Ler no céu o catecismo das noites enluaradas.

    Há séculos a natureza energiza estas chapadas,
    Sol e lua nas canhadas estendem singelo manto,
    Por isso meu pago santo neste verso enraizado,
    A emoção faz costado para brotar mais um canto.

    Song details

    Composition: Eder Goulart and Ramiro Amorim

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