A Esse Papo Indo-lente

Elisa Lucinda

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    Quando me perguntam depois de
    "Ó que lindos olhos"...
    Esses olhos são seus?"
    Me sinto como se perguntassem
    se o sol é rei mesmo
    ou uma espécie de lâmpada de mil
    Me sinto constrangida como se tivesse
    sido possível a alguém alguma vez
    confundir lata de goiabada com fruta de pé.
    me sinto velha virada há milênios
    Aniversariada por várias civilizações e nada esqueci.
    Me sinto madura madeira escaldada
    pra lá destas idades do agora.
    Sou dos longínquos tempos de goiabeiras
    mangueiras, formigas cabeçudas
    tanajuras de umidade, baratas cascudas
    e canaviais nos quintais
    Sou ainda mais
    na magia do que havia nesses anais,
    sou do tempo em que era bom
    nascer com olhos de esmeralda
    e a artista a ser cumprimentada
    era a mãe-natureza
    pela proeza de olhos ser olhos
    e lente ser lente.
    Sou do tempo em que eu era
    toda realeza
    e com certeza não se compravam olhos
    em shoppings, meus deus.
    Sou do tempo em que meus olhos
    Só podiam ser meus.

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    Composition: Elisa Lucinda

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