O Cavaleiro Na Tempestade

Elomar Figueira Melo

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    - Quem é quem chega a estas horas
    que insiste a demora
    na porta a bater?
    bandidos vagam às escuras
    da noite à procura
    de quem mal fazer
    - abrí-me a porta ó senhora
    um instante é a demora
    só enquanto sossega
    o corcel que transporta-me
    através de tempos espaços e eras
    sem poder negar a animal condição
    medo ao fulgir do raio
    e o rugir feroz do trovão
    não temais pela donzela
    da alcova as janelas travadas estão
    o perigo é a descrença
    e o inimigo avança
    num mundo em falência
    abrí-me senhora
    porta ou consciência
    não ouves cá fora
    o rugir do trovão?
    - buscam na noite os morcegos
    sem trégua e sossego
    o sangue a volar
    em forma de anjo os demônios
    com ardis mais medonhos
    nos tentam enganar
    - saí de vossos cuidados
    por armas não porto
    nem punhais nem dardos letais
    só a espada de luz
    a palavra do Sagrado Mestre
    que vos acalenta
    em vossas aflições
    que bane a insegurança
    respondo a paz nos corações
    - mesmo em face à tempestade
    é uma temeridade
    vos a porta abrir
    vejo a tormenta já é finda
    no vadis ainda mais eu quero ouvir
    - eis que é cessada a procela
    vou indo embora
    ao lume da estrela
    meu nome? Se importa
    assenteis nos livros
    de anais desta Casa
    quem em noite varrida
    pela tempestade
    negastes guarida
    aos guardiões da vida
    a Fé e a Esperança
    e a própria Caridade

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    Composición: Elomar

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