RDM - Sem Omissão

Emerson RDM

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    E foda-se se metem o grampo por falar a verdade
    Aperta o REC, aqui quem fala é a voz da comunidade
    Cês acreditam mesmo nesse tal de artigo quinto?
    É porrada nos pobres, perdão e desculpa pra rico

    E o excluído deitado, vários tiros no peito
    Sem portar nada é acusado de atirar primeiro
    Sem perceber o sistema vai fabricar terroristas
    Que vem do CASE, CPP, penita feminina

    Que depois de sair de lá, vai praticar horrores
    Pra batizar e fechar com as siglas que dominam setores
    Com tudo isso, não temos os crimes que eles cometem
    De matar inocentes, operações em frente às creches

    Que deixa mães desesperadas do lado de fora
    Atualizadas, com medo, com números de crianças mortas
    Foda-se se pobre na maca baleado
    O que interessa é a melhor atração pro estado

    Não ignoro hospitais faltando medicamento
    E os doutores achando hilário todo o sofrimento
    Ligam pro vermes terminarem o serviço já feito
    Na cena não tinha cortes (bisturi abrindo peito)

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    Foda-se a lei dois, quatro, zero, escrita no ECA
    (Fotografam meninas obrigadas a abrirem as pernas)
    Não incentivam favelado bater olho nos livros
    Só fazer bomba caseira, cofre aberto à maçarico

    (Que deixa gerente deitado com a cara no chão
    Doze na nuca, um passo em falso vai lacrar teu caixão
    Nos obrigam entrar em carros, não criar tumulto
    E pelos vidros enxergar, pra apontar bocas de fumo)

    É foda ver o favelado entrando nesse jogo
    E quem promete a pena, vai ser eleito de novo
    O estado não se preocupa se trator quebra barraco
    Se tem copos caídos em lonas, desfigurados

    Governo quer que nos matemos todo santo dia
    Atacam nossa capacidade reprodutiva
    Rico transmite na TV, que o pobre é o mal da nação
    Mas, me responde, quem viaja pra Europa de avião?

    Trazendo coca, e o que destrói o gueto perpetuamente
    Que através de um cachimbo deixa a 'quebra indigente
    Eu não sou louco, mas escuto a voz que não é ouvida
    Do povo clamando socorro nas periferias

    Do menino que dá a vida, pra ser o escudo da boca
    Que se inspira, e admira Cartel de Sinaloa
    Tem que enxergar que o Pablo Escobar, não é herói, é vilão
    No final fecha, é sua família, não a facção

    Não faz sentido querer paz, trazendo tanques de guerra
    Pra atingir os morros, das mais de dez mil favelas, (10 Mil)
    Não faço parte do espetáculo, o parque segue macabro
    Enquanto o caixão não descer, eu bato de frente com o estado

    Trilha sonora no gueto à noite é eco de tiro
    Don Corleone na quebra colecionando inimigo
    Não dá pr'eu cantar esperança, dizer que aqui tá suave
    Se o crime tá devastando, e levando os 'menor de idade

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