Oração do Palanque

Ênio Medeiros

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    Em nome do pai e do filho, por este céu que me cobre
    Que dando, nem que não sobre, é o justo merecimento
    Se a vida, presa num tento, de golpe, escora o tirão
    Nós dois voltemos pro chão, que o chão é o renascimento

    Em nome do pai e do filho, por este céu que me cobre
    Que dando, nem que não sobre, é o justo merecimento
    Se a vida presa num tento, de golpe, escora o tirão
    Nós dois voltemos pro chão, que o chão é o renascimento

    Me vou tapear o sombreiro ao grande pai, dou sinal
    Que, assim, me vale, afinal, pra o centauro é diferente
    A espora tem que ter dente, a mão, no mango, um aceno
    No olho, o contra-veneno, pra o precipício aparente

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    Hay que ter, pela garupa, uma oração de resguardo
    E um breve da flor do cardo na alça do coração
    Que a vida vale o galão, não quer um o fim do outro
    Apenas quem for mais potro vai se louvar da bênção

    E a crina rala me sirva qual o calibre da venda
    Não havendo pra encomenda, pouco adianta falatório
    Por isso, o meu ofertório, enquanto houver tapa olho
    Que o mais veiaco' caolho só quer nos ver de velório

    É que a minha reza campeira que se desprega gaviona
    No fole da minha bandona para o patrão celestial
    E eu, ginete, e eu, bagual, da coragem, é o corcovo
    Os dois, pandeiro e retovo do meu rio grande imortal
    Os dois, pandeiro e retovo do meu rio grande imortal

    Hay que ter, pela garupa, uma oração de resguardo
    E um breve da flor do cardo na alça do coração
    Que a vida vale o galão, não quer um o fim do outro
    Apenas quem for mais potro vai se louvar da bênção
    Apenas quem for mais potro vai se louvar da bênção

    Song details

    Composition: Gaspar Machado, Enio Medeiros, and Rodrigo Raskopf

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