Oxalá Um Dia

Fabiana Cozza

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    Nas várias respirações da vida
    Seus tempos e imagens
    O ar que sai e entra afunilado
    É o que não se rege com as mãos
    É o que não se retém na ideia
    É o que não simula as artes
    E os mecanismos previstos

    A crise das gentes é dos ares
    Que formam terras, que, por sua vez
    Aquecem os velhos e novos afetos

    A essa placenta que vira vento
    À força delgada que nos envolve
    Nos sonhos e matérias
    Ancestrais chamaram Oxalá, Lemba, Lissá
    Mãe, pai, avô, avó
    Pulsão de criação e palavra
    Silêncio ante o que não se dança
    Ou ante a festa extrovertida do incompreensível

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    Cada grão de um milho que é branco
    Rotundo, irregular
    É uma molécula encarnada na diversidade

    Os tambores que cantam esses ares
    Tomara
    Sejam as rugas desta voz, um dia
    Ou as cordas de um coração imaginário
    Que, também, frequenta dores de memória
    Vulto e presença

    Cantar é lembrar que esses ares transmutam-se em sangue
    Correndo nas veias do que acontece

    Tiganá Santana

    Información de la canción

    Composición: Tiganá Santana

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