Monólogo de Um Cavalo

Fabiano Bacchieri

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    Eu que nasci na campanha, contemplando céu e campo,
    Com a luz de um pirilampo refletida sob a franja.
    Que vivi pisando flor revirando o céu dos pastos
    Sempre terei no olfato recuerdos se terra e sanga.

    Agora estalando pedra na sina de charreteiro
    Num outro ofício campeiro carrego a cidade em mim...
    - a mesma que esbarra inquieta na lentidão do rodado
    Pelo andar desatinado que nunca sabe do fim!

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    Meu Rio Grande são as cores de um lume de sinaleira
    Na viseira os horizontes minguados de sol e lua.
    Com as mazelas nas cruzes pelo meu destino andante
    Sigo eu... um claudicante tendo o legado das ruas!

    Eu que fiz meu próprio tempo levando a pátria encilhada,
    Cortando rastros em armadas nos fundões do continente...
    Pastejando a contra-gosto num corredor de avenida
    Faço da lida que é minha sustento pra tanta gente!

    Volteando o mundo da soga daqui de um quintal de vila
    Changueando por pão e pila sou mais um com esta indiada:
    - Tantos iguais doutra espécie que não inspiram poesia
    Mas são pura nostalgia cargueando a vida na estrada!

    Información de la canción

    Composición: Fabiano Bacchieri, Marcio Nunes Correa y Helvio Luis Casalinho

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