Do Que a Tarde Não Vê

Fabiano Bacchieri

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    Parece até que as figueiras
    Chovem nos galhos copados
    E que os cavalos da encilha
    Já vem de lombo suado

    Bailam as franjas do poncho
    Em contraponto as do baio
    Talvez tremendo de frio
    Neste finzito de maio.

    Cada pisada do pingo
    Cruzando verdes caminhos
    Rouba o orvalho do campo
    Para cintilar os machinhos

    Cachorros molham o faro
    Buscando não sei o que
    E a manhazita redobra
    A luz que à tarde não vê

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    Os choramingos do basto
    Se calam por um instante
    E as botas mudam de cor
    No porteirão mais adiante.

    O sereno por ciúmes vai
    Tenteando nessa hora
    Por sementes de ferrugem
    Sobre o lume das esporas.

    Três anteontem foi a chuva
    Que afogou marcas de cascos
    Hoje o sol é quem mateia
    A seiva que vem do pasto

    Mas lá na costa do mato
    O serenal ainda brilha
    E mostra antes do cusco
    Onde se entoca as novilhas

    O sereno cobra o preço
    De quem lhe pisa por cima
    Essa é uma grande verdade
    Que as alpargatas confirmam

    Os choramingos do basto...

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