Preço do Trono

Fabiano Nagamatsu

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    É tá todo mundo correndo
    Correndo pra chegar em primeiro, pra ser o dono da rua, o dono da Lua
    Enquanto isso, aqui embaixo, a barriga ronca mais alto que o discurso no plenário
    Dizem que o topo é solitário, né?
    Mas o fundo do poço ah, esse tá superlotado se liga só

    O cenário é cinza, a tela é 4k
    O político briga por poder, quer ver quem vai mandar
    É esquerda, é direita, é o caos, é a treta enquanto a criança na sinaleira sonha com A, B, C e a caneta
    Eles discutem a meta fiscal, o PIB, a taxa
    Mas a fome não espera o decreto, a fome esculacha
    É o banquete no palácio, regado a vinho caro
    E o povo pagando a conta com o suor e o desamparo
    Tem startup de unicórnio valendo bilhão
    Tem gente catando lixo pra garantir o pão
    A tecnologia avança, o app te entrega tudo
    Menos a cura pra ganância que domina o mundo
    Desigualdade não é azar, irmão, é projeto
    Onde o lucro do prédio alto esmaga o teto do barraco sem afeto

    Não é pelo céu prometido, nem pelo inferno temido
    Minha prece é silêncio, num mundo de ruído
    Não quero ser o dono do mundo que tá na UTI
    Eu quero entender o propósito do que eu vim fazer aqui
    Servir e não ser servido, essa é a missão
    Dependência total do eterno, e não do cifrão

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    E não me entenda mal, enriquecer não é pecado
    Pecado é subir pisando em quem tá do lado
    Pecado é o lucro, ser o Deus, o altar e o credo
    É vender a própria mãe pra não perder o enredo
    Você tem uma vocação, um chamado do eterno
    Mas trocou sua essência por um terno moderno?
    O mestre lavou os pés, foi sacrifício vivo
    E você querendo aplauso, querendo ser o executivo do quê?
    De um planeta que tá em perdição?
    Acumulando tesouro onde a traça e a ferrugem fazem a refeição
    O pobre de conhecimento, no desespero, se vende
    Faz qualquer negócio, a alma ele suspende
    Paga pela bênção, compra o óleo ungido
    Achando que Deus é máquina de dar pedido
    Satisfação momentânea, o fast food da fé
    Esquece que sem espírito, você não fica em pé

    Não é pelo céu prometido, nem pelo inferno temido
    Minha prece é silêncio, num mundo de ruído
    Não quero ser o dono do mundo que tá na UTI
    Eu quero entender o propósito do que eu vim fazer aqui
    Servir e não ser servido, essa é a missão
    Dependência total do criador, essa é a oração

    Olha o massacre, o trator passando por cima
    O frágil não tem voz, não tem vez, não tem rima
    O sistema mastiga a carne e cospe o osso
    E a gente com a corda apertando no pescoço
    Buscam o poder como se fossem imortais
    Constroem impérios, muralhas e cais
    Mas no fim da linha, o caixão não tem gaveta
    E diante do criador, não vale a sua etiqueta
    Sua marca, seu status, seu like, sua view
    Nada disso importa quando o coração tá vazio
    A oração verdadeira não é barganha, parceiro
    Me dá isso, me dá aquilo, enche meu tinteiro não
    É seja feita a tua vontade, na dor ou na bonança
    Porque só ele sabe de todas as coisas, ele é a esperança
    Não é medo do fogo, nem ganância pelo ouro
    É saber que sem ele, a vida é um choro
    Um choro sem consolo, um grito no vácuo
    Então desce do pedestal e sai desse buraco

    A gente vê o grande esmagando o pequeno
    E pergunta: Até quando?
    Mas a resposta tá na vocação
    Se o propósito for só ganhar, cê já perdeu
    O amor ao dinheiro é a raiz, não a árvore
    Corte a raiz
    Seja o sacrifício em função da vida do próximo
    Isso é revolução
    O resto o resto é só vaidade

    É dependência
    Total dependência
    Do criador eterno
    Que sabe de todas as coisas
    Gabriel, mandou a letra, pensa nisso

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    Composition: Fabiano Nagamatsu

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