Rosa Mais Linda

Fabio Brazza

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    Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
    E a primeira estrela que vier
    Para enfeitar a noite do meu bem
    Hoje

    O ano é 2130 e um homem solitário pinta
    Algo na parede com tinta
    Uma mão em forma de reza, segurando uma rosa linda
    E ao lado uma poesia, sequestrando a monotonia da cidade cinza

    Uma criança pergunta pra mãe, franzindo o cenho
    O que são essas letras e esse desenho?
    E a mãe, assustada, desacreditada com o que via
    Responde com espanto: Isso é um artista
    Sem saber que isso ainda existia

    E o filho responde: Artista? Achei que era algo pré-histórico
    Pra que fazer arte se as máquinas hoje já fazem com mais repertório?
    É como a comida que já não se planta no solo e é feita em laboratório
    E ao mesmo tempo se via a auspiciosa emoção infantil em seus olhos

    O ano é 2130 e um homem solitário pinta algo na parede com tinta
    O artista é uma múmia num sarcófago, um datilógrafo, uma profissão extinta
    Saciando de arte essa sociedade faminta

    Artistas já foram o pesadelo dos déspotas
    O que dizem os poetas são como granadas com pétalas
    Protejam as flores, as abelhas e as crianças
    Às vezes um ato de amor será a nossa maior vingança

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    Um pobre artesão que ainda faz por paixão, não por cifrão
    Ou quem sabe então por teimosia e resistência
    Foi um ato político, um protesto, um mero gesto de sobrevivência
    Ou um jeito milenar de reivindicar sua existência?

    Um fato tão raro que causou comoção
    Pessoas paravam na rua pra ver esse fóssil vivo dessa espécie em extinção
    Pare o mundo, algo louco aconteceu
    Um homem escreveu um poema com a própria mente e a própria mão

    Nesse momento uma lágrima escorreu e a criança entendeu
    Essa não é a artificial, é a arte oficial
    O dia que uma linda rosa e uma poesia num mural
    Desafiaram a ordem no coração da capital

    Acordei desse sonho em lágrimas, escrevi o que vi numa página
    Percebi que nossa arte não é máquina, é mágica
    Cuidado pra que ela não se transforme nessa distopia trágica
    Mera mercadoria numa linha de fábrica

    Artistas já foram o pesadelo dos déspotas
    O que dizem os poetas são como granadas com pétalas
    Protejam as flores, as abelhas e as crianças
    Às vezes um ato de amor será a nossa maior vingança

    Antes falavam de luta de classes e nobres causas
    Antes falavam de Marx, hoje só falam de marcas
    O rap e o Funk viraram palanque de novas pautas
    E o principal não é uma vida salva, mas um vídeo em alta
    Mas o tênis que se calça vende uma vitória falsa
    Pois pra grande maioria o essencial ainda falta

    Sou cria dos anos noventa, sei que é diferente
    O rap que fala que senta e o rap que fala o que sente
    O que segue o algoritmo e o que segue algo íntimo
    O que copia o hit do que é poesia e ritmo
    Eu sei a diferença do que fica e do que finda
    Do que é IA e do que é ainda

    Por isso escrevo com alma para que você sinta
    Daqui até 2130, pra que o coração de uma criança minha arte atinja
    E tinja das cores mais lindas, existe esperança ainda
    (Eu vi) uma rosa nasceu no concreto da cidade cinza

    Tenha fé, porque até, truta
    Tenha fé, porque até, truta
    Tenha fé, porque até
    No lixão nasce flor

    Tenha fé, porque até, truta
    Tenha fé, porque até, truta
    Tenha fé, porque até
    No lixão nasce flor

    Información de la canción

    Composición: Mano Brown, Dolores Durán y Fábio Brazza

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