A Memória Dos Dias

Fausto

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    Correste a dizer que o dia vinha às portas da saudade
    E cobriste de mil flores as varandas da cidade

    Ao cantar enrouqueceste mil canções feitas à toa
    Dançaste todas as ruas embriagadas de Lisboa

    Leste os clássicos do tempo como toda a novidade
    E a sonhar adormeceste no prazer da liberdade
    Inventando mil amigos
    Esquecendo velhos perigos

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    Acordaste em sobressalto do teu sonho meio ferido
    Dos confins do pesadelo, no limite dos sentidos

    Soçobrado na ideia mais ou menos dolorosa
    Que te negavam medonhos o teu plano cor-de-rosa

    E na fúria dos enganados, na febre dos desvalidos
    Na razão dos maltratados entre abraços desabridos
    No delírio prematuro
    Ainda foste forte e duro

    Roda a espiral da história entre as garras da agonia
    Diz adeus, ó meu amor, que eu hei-de voltar um dia

    E deixo-te uma palavrinha para te lembrares de mim
    Perfumada pelo cravo, amanhã pelo alecrim
    Deixo-te uma palavrinha
    Para te lembrares de mim

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