O Enigma do Guardanapo

Fernando Alva

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    Deixei a pergunta de lado um momento
    Não vim para julgar o comportamento
    Se as mãos estão sujas, se o copo esvaziou
    Eu sou o operário que o Mestre chamou
    Recolher o que sobra, limpar o que cai
    No rítimo manso que agrada ao Pai

    Vários convidados a olhar
    E eu vi no detalhe o que estava a faltar
    Peguei o papel, o guardanapo na mão
    Não era liturgia, era só prontidão
    Pois quem serve não busca o troféu
    O serviço é o idioma que se fala no céu

    É o mistério simples de um guardanapo
    Que limpa a poeira e o resto do prato
    É o suor invisível, a mão estendida
    A teologia que dá sentido a vida
    Enquanto o prestígio preenche o altar
    Eu encontro o meu Cristo na tarefa, não no jantar

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    Servi o refrigerante, levei o descarte
    Fiz do cuidado a minha maior arte
    Só quando o último pôde cear
    É que achei um cantinho pra me sentar
    O prato estava frio, mas o peito aquecido
    Pelo prazer de não ser percebido

    Não precisei de crachá, nem de unção especial
    O amor é o único cargo real
    A igreja é o povo, o templo é o cuidado
    E o maior entre nós é o que serve ao lado

    Limpando a mesa
    Limpando o chão
    O céu se revela em nossa comunhão

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    Composición: Fernando Alva

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