Cabocla Tereza

Francisco Petrônio

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    Lá no alto da montanha
    Numa casa bem estranha
    Toda feita de sapé
    Parei uma noite o cavalo
    Pra mordi de dois estalos
    Que ouvi lá dentro batê

    Apeei com muito jeito
    Ouvi um gemido perfeito
    E uma voz cheia de dô
    Vancê, Tereza, descansa
    Jurei de fazer vingança
    Pra mordi de nosso amor

    Pela réstia da janela
    Por uma luzinha amarela
    De um lampião apagando
    Eu vi uma caboca no chão
    E o cabra tinha na mão
    Uma arma alumiando

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    Virei meu cavalo a galope
    E risque de espora e chicote
    Sangrei a anca do tar
    Desci a montanha abaixo
    Galopendo meu macho
    O seu dotô fui chamar

    Vortemo lá pra montanha
    Naquela casinha estranha
    Eu e mais seu dotô
    Topemo um cabra assustado
    Que chamando nóis prum lado
    A sua história contou

    Há tempos fiz um ranchinho
    Pra minha cabocla morar
    Pois era ali nosso ninho
    Bem longe deste lugar
    No alto lá da montanha
    Perto da luz do luar
    Vivi um ano feliz
    Sem nunca isto esperar

    E muito tempo passou
    Pensando em ser tão feliz
    Mas a Tereza, dotô
    Felicidade não quis
    Pus meus sonhos nesse olhar
    Paguei caro meu amor
    Por causa de outro caboclo
    Meu rancho ela abandonou

    Senti meu sangue ferver
    Jurei a Tereza matar
    O meu alazão arriei
    E ela fui procurar
    Agora já me vinguei
    É esse o fim de um amor
    Essa cabocla eu matei
    É a minha história dotô

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    Composition: Raul Torres and João Pacífico

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