Cavocando Rimas

Francisco Vargas

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    O meu pai é o verso xucro e minha mãe é rima guapa
    Já trouxe a origem no sangue da brava raça farrapa
    Eu nasci sem embalagem pingo bão não usa capa
    Meu teto é o próprio universo
    e no firme cabo do verso rima nenhuma me escapa

    Me chamam Rei da Grossura por ter vindo lá das tingua
    Na grande escola do mundo eu granjeei muita tarimba
    Quem tiver diploma errado, larga, as conserta e carrimba
    Muitos de mim têm mágoa
    e terminam bebendo a água gostosa da minha cacimba

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    Eu ser assim como sou o meu rico povão se orgulha
    Por saber que o sacrifício da vida não me embarulha
    Em matéria de trovas xucras a minha ideia é uma tulha
    Minha rima é rica e pura
    meu verso é a própria costura que não precisa de agulha

    Eu brotei no pé da serra e me criei numa área agrícola
    Já levei rodada feia de quebra as duas clavículas
    E os trovadores que acharem que as minhas rimas são ridículas
    Largue essas feras da jaula para aprender na minha aula
    que eu mesmo faço a matrícula

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