Infância Pobre

Gildo de Freitas

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    (Eu fui um menino pobre, vivi jogado ao relento
    Nos dias de inverno forte foi grande meu sofrimento
    Maloca de papelão era ali a nossa fazenda
    Esse trecho eu não esqueço por ser um triste começo
    De um grande padecimento. E por princípio tiveram uma decaída
    Por ciúme de amores caíram na bebida
    E até nossa casinha, que por desgraça foi vendida
    Botaram fora o dinheiro e ficamos no desespero
    Sem a casa e sem comida)

    E foi assim minha gente que eu neste mundo nasci
    Redobrou meu sofrimento depois que meus pais perdi
    Se não fosse o meu padrinho que eu mais tarde descobri
    Era certo que eu morria porque eu não resistia
    Mais do que eu resisti

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    Eu hoje fui pra conversa de quem conhece a matéria
    Minha mãe casou direito era uma senhora séria
    O papai trabalhador que não gozava uma féria
    Depois de um triste abandono, que nem cachorro sem dono
    Morreram os dois na miséria

    Eu hoje, graças a Deus, sou a mim que me governo
    Só não desfrutei carinho nem paterno, nem materno
    Se eu fosse enfraquecido que nem o moço moderno
    Dominado pelo fumo eu jamais achava o rumo
    Nem saía do inferno

    Pra criança sem morada sempre existe um forrinho
    Se dá uma roupa usada, uma calça, um sapatinho
    Eu falo porque já fui um menino pobrezinho
    Filho de um pobre casal sem apoio, sem moral
    Sem fortuna e sem carinho

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    Composition: Gildo De Freitas

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