Festa de Jó

Gildomar Marinho

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    Foi numa festa que Jó fez no mês passado
    Que até hoje é comentado pelas bandas do Grotão
    Bicho de unha que vinha de todo lado
    Do vigário ao delegado, salvo engano até São João
    Deu meia-noite, o forró adiantado
    E um caboclo acabrunhado com vontade de dançar
    Mas uma légua de mata mal assombrada
    Faz Maneco dar pisada com medo de atravessar

    Pois quem tem medo de visagem, cobra dágua
    Onça preta, boi pintado, não vai na festa de Jó
    Gota serena, tempestade, chuva fina
    Raio, ave de rapina não vai na festa de Jó
    E quem desvia de cachorro muchubento
    Quem tem medo de jumento não vai na festa de Jó
    Quem se arrepia quando canta a cotovia
    Quem tem medo de matilha não vai na festa de Jó

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    De madrugada o forró adiantado
    Todo mundo animado, resfolego no forró
    Dançava Zefa agarrada com Tonico
    Tinha até Chico com Chico dançando forrobodó
    No “mei” da festa Maneco criou coragem
    Tomou umas com visagem, foi rodando no salão
    Só não sabia que a visagem era danada
    Lhe deu cana batizada, foi danada a confusão

    Trocou de roupa bem de frente ao cemitério
    Botou padre e ministério pra dançar um carimbo
    Fez uma taça de casa de marimbondo
    Deu um susto no assombro voltou pra festa de Jó
    Veio tangendo vinte cobra cascavé
    Montado num jacaré com uma loiro fogoió
    No fim das contas, tomou outra talagada
    Levou a visagem em casa e deixou a moça só
    E eu já tô largando aqui minha função
    Que eu não abro nem pro cão pra dançar esse forró

    Información de la canción

    Composición: Gildomar Marinho

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