Um Deus Ateu

Guilherme Arantes

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    Quem
    Te roubou o inocente jardim
    Tuas faces de rubras maçãs
    Teu condão
    Talismã
    Quem levou
    Nossas verdes manhãs de sol
    Tardes sem fim
    Inventou a distância cruel
    Levou a linha, a vareta e o papel
    Lavou o céu
    Secou o mar
    Jogou nuvens de areia nos olhos
    Muralhas de pedras
    Brilhantes que furtam a visão
    Como um deus ateu
    Vaguei vagabundo
    Morei num barril
    Andei condenado
    A viver buscando
    Cana de açucar
    Duna de sal
    Moinho de sonho
    Usina do amor
    No torvelinho
    Na febre no frio
    Não se perdeu
    Nosso ébrio navio

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    Composition: Guilherme Arantes

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