Milonga de Cola Atada

Gujo Teixeira

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    Como quem encilha um baio
    Pra lida certa do dia
    Que a madrugada anuncia
    No canto largo dos galos
    Uma milonga precisa
    Pra cantar as gauchadas
    De um apero bem trançado
    Arreio bueno e cola atada

    Quando sento minhas garras
    No lombo do meu gateado
    Quatro-galho bem atado
    E uma pose pra retrato
    Bem estribado me abanco
    E desenho a minha estampa
    Vendo o mundo mais de cima
    Feito um centauro da pampa

    Vem ladeirando a mangueira
    E o meu mango faz costado
    Nos quarto de um Colorado
    Que já dava pra o serviço
    Força, paciência e trabalho
    É desta lida meu pão
    E no ferro dos estribos
    Que eu tenho meus pés no chão

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    Pego na Lua minguante
    Pra amanunciar um tostado
    Bico-branco e bem sovado
    Dos pulsos puxando o queixo
    No tempo certo da lida
    Boto um bocal com rendilhas
    Quebro o cacho à cantagalo
    Pra dar a primeira encilha

    Quando ajeito minha bragada
    E ato um nó de vassoura
    Nas crinas passo a tesoura
    Pra da um volteio no povo
    Me preparo bem no estilo
    Pra agradar alguma morena
    Fui criado na campanha
    E sei bem o que vale a pena

    Trago no rumo dos ventos
    A sorte que me governa
    Mas quando enforquilho as pernas
    No lombo do meu lobuno
    Eu só desço quando eu quero
    Ou quando cansá as esporas
    Primeiro desato a cola
    Depois largo a campo fora

    Song details

    Composition: Luis Marenco and Gujo Teixeira

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