Multidão
Hivanir Lopes
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Gente grotesca, gente travessa
Gente degola a goela dela
Gente língua de trapo
Trapaceiros dos ventos do Norte
Gente vampiro, vampirando o mundo
Sombrio de sua morte
Gente que vê, olha e senta esperando o corte
Gente de fama, gente de dente
Gente de pé, gente somente
Gente que é gente, que geme
Que mente, que tortura e sente
O dia, a noite e não mais se sente
O dia, a noite e não mais se sente
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Gente engolindo sapo, sapato, saliva
Gente esperando um banquete
Virando joguete, dando piquete
Do arco da velha, do saco vazio, do lixo de gente
Que teme, que cura, que fere, que mata
Maltrata, degola, inflama
O coração já doente de gente que é gente