Rei da Zona

Ivonir Machado

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    Toda minha vida gostei de viola
    E gemido de sanfona
    Sempre gostei de cachaça, briga, arruaça
    E porta de zona

    Eu era um homem rico
    Dono de muito dinheiro
    Minhas fazendas e boiada
    Gastei tudo no puteiro

    Tenho quatro filhas casadas
    Que vivem a me dizer
    Porque não dei nada a elas
    E pus tudo a perder

    Se elas não tivessem casadas
    Isto não iria acontecer
    Quem tem que tratar de vocês
    São os maridos
    Genro tem que se foder

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    Eu já avisei parentes e amigos
    Tá todo mundo avisado
    O dia que eu morrer é na zona
    Que eu quero ser velado

    Se me levar pro cemitério
    Vou ser um defunto enjoado
    Vou dar coice no caixão
    Jogar flor pra todo lado
    Por ali mesmo na zona
    É que eu quero ser enterrado

    Mesmo depois de morto
    Não quero que as putas me abandonem
    Quero que coloquem em cima da minha cova
    Um violão e uma sanfona
    Depois escrevam com letras bem grandonas
    Aqui descansa Ivonir Machado
    Que gastou todos seus trocados
    Mas foi o rei da zona

    Eu sou o fodido quando eu chego na zona
    Eu sou o fodido quando eu chego na zona
    Faço amor com as empregadas
    Mas primeiro eu vou na dona

    Quando eu chego na zona
    Fico até de madrugada
    Primeiro eu cutuco a dona
    Pra poder não pagar nada
    Fazendo amor com a dona
    Não precisa de dinheiro
    Quando é de madrugada
    Já sou o chefe do puteiro
    Antes de me embriagar
    Vou levando com respeito
    Depois que eu encho o rabo
    Faço amor de qualquer jeito
    Depois que eu tiver tragado
    Tanto fez ou tanto faz
    Seja puta ou veado
    Até de cara pra trás

    Todo dia eu tô na zona
    Eu sou o linha de frente
    Quando eu não tô na zona
    Pode crer que tô doente
    A zona é coisa boa
    A zona é coisa joia
    Tem gente que é contra
    Mas tem gente que apoia
    Quando é de madrugada
    Tô pra lá de embriagado
    Beijo na boca das putas
    Sapatão e até veado
    Uma mão vai na virilha
    E a outra vai no sovaco
    Eu cutuco a noite inteira
    Até esfolar o couro do saco

    Song details

    Composition: Jorge Moisés and Ivonir Machado

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