Nas Asas Da Solidão

Jairo Lambari Fernandes

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    Morreu uma lágrima na baeta do poncho
    Dos olhos de quem eu jurei que queria
    Morrer por inteiro na silhueta morena
    Num beijo templado de luz e calmaria

    O cheiro da pele me trouxe florada
    A paz das aguadas nos olhos morenos
    Molhou de sereno tua face menina
    E dormiu nos meus braços no rancho pequeno

    E nas madrugadas fui o teu senhor
    Escravo do amor, peão em teus braços
    Geada e mormaço na luz da paixão
    E o meu coração que falta um pedaço

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    E quando a saudade se faz bem maior
    E a solidão vem dar: Ô, de casa
    Me abrigo nas asas do meu poncho azul
    E as dores do sul vêm queimar em brasa

    Me resta a esperança de sermos um só
    Na paz do lugar que foi tua morada
    Amantes, parceiros, confidentes das penas
    Pra sermos num catre parte das madrugadas

    E se não vieres, vou morrer assim
    E um pouco de mim há de ficar na estrada
    Pra ser tua aguada, o teu pão de cada dia
    E, nas invernias, teu anjo da guarda

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