Secretas Secreções

Jamila Mafra

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    Solto os purgos da memória
    Porque a mágoa sempre fica,
    Desamores e revoltas
    São as secreções da vida.

    Não há bodas,
    Não há festas,
    Não há prêmios,
    Não há nada,
    E não existe mal pior
    Do que a solidão
    Dessa estrada.

    Tal qual um intenso corrimento
    As lágrimas da dor vão escorrendo,
    Nunca ouvi que houve remédio
    Pra esse tipo de tormento.

    Dessa vez não foi bacilo,
    Não foi nem mesmo o tricomonas,
    Dessa vez foi o vacilo
    De querer e não ser dona.

    Solto os purgos da memória
    Porque a mágoa sempre fica,
    Desamores e revoltas
    São as secreções da vida.

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    Não há moldes,
    Não há gaze,
    Nem nenhum absorvente
    Que contenha a secreção
    De sentimentos tão doentes.

    Para essa mórbida infecção
    Chamada desilusão
    Não existe antibiótico,
    Pois são seres abióticos.

    Todo mundo nessa vida
    Já segregou pus algum dia,
    Mas eu tenho um corrimento
    Que me atrapalha na corrida.

    Todo mundo tem um medo
    Mas por falta de coragem
    Segrega o pavor em segredo.

    Todo mundo me acha estranha
    Por eu não ter vergonha
    De dizer toda a verdade,
    Mas quem esconde o que sente
    Acaba na insanidade.

    Todo mundo tem a mácula
    Guardada no coração
    E quem disser que "Não"
    De fato está vivendo na ilusão.

    Não há moldes,
    Não há gaze,
    Nem nenhum absorvente
    Que contenha a secreção
    De sentimentos tão doentes.

    Solto os purgos da memória
    Porque a mágoa sempre fica,
    Desamores e revoltas
    São as secreções da vida.

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    Composition: Jamila Mafra

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